Vespas juntam-se em Alhandra


"A Vila de Alhandra está na rota das Vespas. O novo clube, que nasceu do gosto dos fundadores pelas máquinas italianas, procura juntar todos os vespistas da zona em convívios e encontros nacionais.
Paulo Reis, aficcionado das Vespas, lançou os primeiros alicerces de um clube especializado em Alhandra. A falta de uma estrutura do género na área circundante da sua residência levou a este obejctivo de criação do Vespa Clube de Alhandra.
"Foi fundado a 16 de Maio. Estávamos a participar num encontro em Alpiarça, quando surgiu a ideia", disse Paulo Reis ao Vida Ribatejana. A expectativa é grande por parte dos, para já, dois únicos membros do clube já que "há muitas pessoas a partilharem desta paixão". Há clubes em Lisboa e Cartaxo. Aqui na zona não. Esperamos que as pessoas ao saberem entrem em contacto connosco para se inscreverem".
O clube que tem por missão dar a conhecer as máquinas italianas de duas rodas que surgiram decorria o ano de 1946. "É um clube de amigos. Inicialmente pretendemos angariar sócios para o clube. Quando as raízes estiverem lançadas vamos fazer um encontro de Vespas em Alhandra para juntar todos os amantes deste estilo de scooter", anunciou o mentor do projecto.
O clube está, de momento, a funcionar numa sede improvisada, na Quinta da Marquesa. A garagem, localizada nas traseiras do lote 10, serve de ponto de encontro, para Paulo Reis e Pedro Lima.
Ambos estão a preparar-se para a construção de uma Vespa. As bancadas circundantes estão repletas de peças para a montagem da scooter. A estimativa feita é de duas semanas para a mais recente aquisição de Pedro Lima estar pronta a tempo do encontro de dia 18, em Torres Novas.
"Esperamos que a vespa esteja pronta antes dessa data", diz. Só em território nacional existem cerca de 40 clubes de vespas. O concelho de Vila Franca de Xira ganha agora um novo clube que pretende também "dar a conhecer a vila de Alhandra".
Os interessados em aderir podem ou não ter Vespa e devem ser amantes da modalidade. O novo clube alhandresne pode ser contactado para vespaclubealhandra@gmail.com.

 
 
Fonte: Vida Ribatejana de 14-07-2010
Alhandra tem exposição sobre a 1ª República


"Um olhar sobre a 1ª República" é o título de uma exposição que, vai ser inaugurada, hoje, na Galeria Augusto Bértholo, no Museu de Alhandra. A mostra, organizada pela Junta de Freguesia de Alhandra, fica patente até 29 de Agosto. Pode ser vista, de quarta a domingo, entre as 9h30 e as 12h30 e das 14h às 17h30.

 
 
Fonte: Vida Ribatejana de 14-07-2010
Alhandra pode voltar a ter Teatro


Alhandra. Uma vila de sempre para uns, um ponto de passagem para outros. Aqui, sente-se a frescura da natureza e o cheiro do Tejo.
Rua Miguel Bombarda. Uma rua comprida, onde também estaciona a escola de Vela. No café da Sociedade Euterpe Alhandrense, os senhores de longa idade trocam ideias.
Do lado esquerdo deste espaço lúdico, entre moradias escuras, sentam-se agora, lado a lado, os restos do que foi o tão brilhante Teatro Salvador Marques.
Trocou a Damaia por Alhandra, mas sempre que passa em frente deste espaço agora abandonado, Andreia Maia, pára e observa com atenção. Ligada à área da dança e da arqueologia consegue compreender este abandono. "Nos meios mais pequenos acho que é bastante usual este tipo de situações, pois durante muito tempo a maior parte das pessoas preferiram deslocar-se para grandes centros comerciais onde podiam ter uma maior disponibilidade de serviços. Tal situação é, no entanto, na minha opinião de moradora e bailarina, uma grande perda, e penso que, a população em geral preocupa-se mais com a qualidade de vida, procurando por isso "viver" o local onde vivem", confessa.
Foi um ex-libris enquanto teve as portas abertas. Com uma arquitectura de estilo clássico e de raíz italiana. A sala de artistas reproduzia o aspecto do antigo Teatro Apolo em Lisboa. Tinha uma estrutura interior que deixava os espectadores de boca aberta. Era composta por um balcão, uma plateia e duas ordens de camarotes, dispondo, igualmente de um restaurante e de um salão nobre. A plateia sentava 400 pessoas e os camarotes alojavam 30. As pessoas deixaram de frequentar o teatro e o cine-teatro. Na altura, o vídeo apoderou-se das preferências dos cidadãos e as portas deste espaço foram obrigadas a fechar. A bilheteira iluminada e cheia de cor deu lugar aos meros tijolos empilhados. O frontão que coroava todo o conjunto do edifício desapareceu com o terramoto de 1909. A placa onde se lia ao longe, a palavra cinema já tem ferrugem, perdeu a cor e a leitura.
Salvador Marques foi um dramaturgo que cresceu e viveu na vila alhandrense. "Comissário de Polícia" foi a primeira comédia a estrear o Teatro da Rua Miguel Bombarda. Dirigida por Gervásio Lobato e representada pela Companhia de Teatro Gimnásio de Lisboa, onde o actor Valle vestiu a pele do protagonista. No dia 10 de Junho de 1905, o teatro recebeu os primeiros aplausos.
Tinha nove anos quando subiu as escadas deste palco pela primeira vez, com a peça "Os rapazes são o diabo". Agora Maria Amélia tem 71 anos, mas ainda se lembra da magia deste espaço. "Era um grande palco. O Senhor Reis dizia que era uma sala que faz lembrar o S. Carlos em miniatura. Era uma sala muito bonita. Ainda se nota, mas já tiraram o candeeiro, tiraram o piano cá em baixo, disseram que era para reabilitar. Tinham umas estátuas muito bonitas, depois aquilo caiu e guardaram. Puseram os tijolos cá em baixo a tapar, para as pessoas não se meterem lá dentro. E levaram também o pano que subia", recorda entre sorrisos.
A valorosa peça "Os Campinos" de Salvador Marques, foi apresentada pela primeira vez nesta sala de muita beleza e representada por amadores de Alhandra, a 23 de Março de 1913, em benefício dos Bombeiros Voluntários desta vila.
Na década de 40, o Teatro transformou-se em Cine-Teatro Alhandrense, passando a exibir apenas cinema, incluíndo as grandes produções nacionais.
Entre 1964 e 1965, a cargo da Lisboa Filmes, o edifício sofreu uma remodelação que sacrificou a sua antiga fachada. As portas foram fechadas para descanso do pessoal em 1984 e nunca mais voltaram a ser abertas.
Os apelos dos cidadãos são alguns, mas a espera alonga-se sem fim à vista. As sugestões de restituição espalham-se nos sussurros de cada esquina. "Seria bastante interessante reabilitar o edifício e torná-lo todo num pólo dinâmico com actividades ligadas a várias áreas, nomeadamente dança, teatro, música, cinema. A Junta poderia, por exemplo, nos fins-de-semana, realizar sessões de cinema durante a tarde e noite, com filmes direccionados para os mais pequenotes e para os adultos. Poderia também tentar com grupos de dança e teatro da zona (e não só) dando a conhecer trabalhos bastante interessantes", sugere Andreia Maia, bailarina e residente em Alhandra.
Andreia Maia acredita nesta reabilitação e realça as suas beneficências. "Primeiro porque apoiar a cultura eé sempre importante, e infelizmente tal raramente acontece. Segundo iria, sem dúvida, dinamizar a zona de Alhandra, que manteria o seu aspecto rural. E ao mesmo tempo seria uma vila moderna com actividades para os seus habitantes, fazendo com que estes não sintam necessidade de se deslocarem para os grandes centros urbanos, como Lisboa", explica.
Oito anos é o tempo previsto de recuperação deste teatro. A esperança de voltar a ver o teatro da Rua Miguel Bombarda em Alhandra nunca morre. Os momentos de luz e alegria poderão voltar. A plateia voltará a estar cheia e na bilheteira estará uma multidão para comprar o acesso aos espectáculos.
Foi um marco para os habitantes de Alhandra e para o concelho de Vila Franca de Xira. Mas há quem vá mais longe. "Foi um dos principais teatros da corda de tournées do teatro português", conclui o vereador João de Carvalho.
As ideias do povo são mais que uma mão cheia. Todas se cruzam de uma maneira ou de outra. Mas um projecto já está traçado pelo vereador João de Carvalho.
A colecção de informação especializada em artes não será esquecida neste plano. Aqui vai haver espaço para os amantes de vários tipos de arte. "Irá ser feita uma pequena biblioteca com um espaço de restauração, para criar alguma vida neste espaço. Uma biblioteca temática sobre artes: teatro, cinema, pintura, etc", expõe o vereador da cultura, eleito pela coligação Novo Rumo (PSD/CDS-PP/PPM/MPT).
As medidas estão a ser calculadas. Os estudos de recuperação do espaço estão a prosseguir. "Nós podemos recuperar muita coisa, por isso podemos fazer isto com tempo e com cabeça, sem destruir um património que é único do concelho, porque não temos mais nenhum teatro aqui. Poderá ser a sala de visitas da câmara. Estamos a tentar recuperar as telas, o pano de boca que era muito bonito, os candeeiros, os corredores. Quero só fazer teatro, não quero cinema", avança o vereador.

 
 
Fonte: Vida Ribatejana de 07-07-2010